In the Window


"I forget the stairs I've climbed
and look for contentment in
every anatomical part of my being.
I seek to live a reality
of love through life
but this globe has no identity.
Just trying to be remembered 
in memories to forget."
Ana Flora

3 comentários:

  1. Quero sentir-te no teu tempo!
    Que é meu …. no olhar, na cor, nos aromas, na palavra, no silêncio … no toque.
    Quero respirar os teus lábios, a tua pele, as tuas mãos
    E sentir a luz a invadir-te o corpo, na liberdade do teu olhar.

    Encontrei-te nos acasos (ou não) de viagens por olhares (a fotografia e a música são paixões de uma vida),a beleza, a serenidade, a fúria de viver que tu apresentas em momentos de memória afectiva, cativam-me.

    O amor é a minha expressão de vida.

    ... entrego-te um poema, que mais do que palavras é o sentir do pulsar da vida

    Só o Amor me Interessa

    Nesta fase em que só o amor me interessa
    o amor de quem quer que seja
    do que quer que seja
    o amor de um pequeno objecto
    o amor dos teus olhos
    o amor da liberdade
    o estar à janela amando o trajecto voado
    das pombas na tarde calma
    nesta fase em que o amor é a música de rádio
    que atravessa os quintais
    e a criança que corre para casa
    com um pão debaixo do braço
    nesta fase em que o amor é não ler os jornais
    podes vir podes vir em qualquer caravela
    ou numa nuvem ou a pé pelas ruas
    - aqui está uma janela acolá voam as pombas -
    podes vir e sentar-te a falar com as pálpebras
    pôr a mão sob o rosto e encher-te de luz
    porque o amor meu amor é este equilíbrio
    esta serenidade de coração e árvores
    Egito Gonçalves, in 'Antologia Poética'

    Miguel

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  2. Carta (Esboço)

    Lembro-me agora que tenho de marcar um
    encontro contigo, num sítio em que ambos
    nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma
    das ocorrências da vida venha
    interferir no que temos para nos dizer. Muitas
    vezes me lembrei de que esse sítio podia
    ser, até, um lugar sem nada de especial,
    como um canto de café, em frente de um espelho
    que poderia servir de pretexto
    para reflectir a alma, a impressão da tarde,
    o último estertor do dia antes de nos despedirmos,
    quando é preciso encontrar uma fórmula que
    disfarce o que, afinal, não conseguimos dizer. É
    que o amor nem sempre é uma palavra de uso,
    aquela que permite a passagem à comunicação ;
    mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale,
    de súbito, o sentido da despedida, e que cada um de nós
    leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o próprio
    ser, como se uma troca de almas fosse possível
    neste mundo. Então, é natural que voltes atrás e
    me peças: «Vem comigo!», e devo dizer-te que muitas
    vezes pensei em fazer isso mesmo, mas era tarde,
    isto é, a porta tinha-se fechado até outro
    dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então
    as palavras caem no vazio, como se nunca tivessem
    sido pensadas. No entanto, ao escrever-te para marcar
    um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos
    para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que
    é também a mais absurda, de um sentimento; e, por
    trás disso, a certeza de que o mundo há-de ser outro no dia
    seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores
    do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos
    encontrar, que há-de ser um dia azul, de verão, em que
    o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí
    que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas,
    que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo
    das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros.

    Nuno Júdice, in “Poesia Reunida”

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