Of the people, By the people, For the people


"Every act of rebellion expresses a nostalgia for innocence 
and an appeal to the essence of being."
Albert Camus

3 comments:

  1. Gosto muito desta arte de rua e o título diz tanto!

    ResponderEliminar
  2. ... bom dia


    A Morte o Amor a Vida

    Julguei que podia quebrar a profundeza a
    [imensidade
    Com o meu desgosto nu sem contacto sem eco
    Estendi-me na minha prisão de portas virgens
    Como um morto razoável que soube morrer
    Um morto cercado apenas pelo seu nada
    Estendi-me sobre as vagas absurdas
    Do veneno absorvido por amor da cinza
    A solidão pareceu-me mais viva que o sangue

    Queria desunir a vida
    Queria partilhar a morte com a morte
    Entregar meu coração ao vazio e o vazio à vida
    Apagar tudo que nada houvesse nem o vidro
    [nem o orvalho
    Nada nem à frente nem atrás nada inteiro
    Havia eliminado o gelo das mãos postas
    Havia eliminado a invernal ossatura
    Do voto de viver que se anula

    Tu vieste o fogo então reanimou-se
    A sombra cedeu o frio de baixo iluminou-se de
    [estrelas
    E a terra cobriu-se
    Da tua carne clara e eu senti-me leve
    Vieste a solidão fora vencida
    Eu tinha um guia na terra
    Sabia conduzir-me sabia-me desmedido
    Avançava ganhava espaço e tempo
    Caminhava para ti dirigia-me incessantemente
    [para a luz
    A vida tinha um corpo a esperança desfraldava
    [as suas velas
    O sono transbordava de sonhos e a noite
    Prometia à aurora olhares confiantes
    Os raios dos teus braços entreabriam o nevoeiro
    A tua boca estava húmida dos primeiros orvalhos
    O repouso deslumbrado substituía a fadiga
    E eu adorava o amor como nos meus primeiros
    [tempos

    Os campos estão lavrados as fábricas irradiam
    E o trigo faz o seu ninho numa vaga enorme
    A seara e a vindima têm inúmeras testemunhas
    Nada é simples nem singular
    O mar espelha-se nos olhos do céu ou da noite

    A floresta dá segurança às árvores
    E as paredes das casas têm uma pele comum
    E as estradas cruzam-se sempre
    Os homens nasceram para se entenderem
    Para se compreenderem para se amarem
    Têm filhos que se tornarão pais dos homens
    Têm filhos sem eira nem beira
    Que hão-de reinventar o fogo
    Que hão-de reinventar os homens
    E a natureza e a sua pátria
    A de todos os homens
    A de todos os tempos.

    Paul Eluard, in "Algumas das Palavras"

    ResponderEliminar
  3. Manu, também me maravilho com estes trabalhos sobretudo os que retratam os nosso momentos de união!
    Muito obrigada pela visita e pelo comentário :D
    Um beijinho*

    ResponderEliminar

Observe. Write.